Trazemos
novamente para o blog a discussão acerca da condição da mulher na sociedade, em
uma semana em que tivemos a organização da Marcha das Vadias, em Porto Alegre.
Esse movimento, que teve sua primeira passeata no Canadá, foi organizado por
estudantes após a declaração de um policial, afirmando que o fato de as
mulheres se vestirem como "vadias" poderia estimular o estupro. Pois
bem, em casos de violência, seja ela física ou simbólica, não há que se falar
em opinião. A justificação não pode existir, em hipótese alguma, muito menos
baseada em juízos de valor machistas.
A marcha do fim
de semana gerou repercussão. Como era o esperado, o maior número de comentários
se deu justamente em função de algumas participantes terem optado pela nudez
para protestar. São tantas as imagens a serem compartilhadas e tantas
discussões trazidas a tona, que eu não me conformo que a população (incluindo
mulheres) abram a boca EXCLUSIVAMENTE para falar da nudez das participantes da
marcha, reforçando um conceito usado para ridicularizar, inferiorizar e
desculpar a violência contra a mulher: VADIA!
O reducionismo é
o que de fato me assusta. Tantos significados caminhando pelas ruas de Porto
Alegre, tantas crianças, jovens e senhoras que certamente já sentiram o peso do
machismo, da submissão ou da opressão e as pessoas só conseguem comentar sobre
os peitos que ficaram a mostra.
Não importa com
quantas pessoas diferentes uma mulher mantêm relações sexuais, se ela se
manifesta contra a desigualdade tirando a blusa ou se ela opta por não ser
delicada. Isso não a faz menos mulher, tampouco permite que as outras pessoas a
julguem, a violentem ou se sintam melhores do que ela. O machismo não é questão
de opinião e não é direito meu gritar para que a desigualdade permaneça. Não
podemos permitir que algumas práticas sejam reforçadas sob a égide da
“liberdade de expressão”. Afinal, não gostar de negros e de gays também é
questão de opinião, não é?
Fotos retiradas
da página:
https://www.facebook.com/media/set/?set=a.3628635807039.2144953.1608395891&type=3
Allana Ariel Wilmsen Dalla Santa




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