Manaus, AM – Para
driblar a rejeição do consumidor, a piracatinga (Callophysus macropterus) –
peixe capturado usando botos mortos como isca – ganhou novos nomes no mercado
da capital amazonense. A piracatinga é um peixe pouco nobre, também
conhecido como urubu d'água por comer animais mortos. Agora, ela pode ser
encontrada com os nomes de “douradinha” ou “piratinga” em feiras e
supermercados da cidade, segundo informações da Associação Amigos do
Peixe-boi-da-amazônia (Ampa).
Segundo a associação, o aumento da captura da piracatinga está associada aos casos cada vez mais comuns de matança de botos na região. A gordura do boto é um excelente atrativo para este peixe.
Segundo a associação, o aumento da captura da piracatinga está associada aos casos cada vez mais comuns de matança de botos na região. A gordura do boto é um excelente atrativo para este peixe.
O monitoramento dos botos na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá, realizado há 17 anos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), indica que o número de botos cor-de-rosa, conhecidos também como botos-vermelhos (Inia geoffrensis) está diminuindo 10% por ano em diversas regiões da Amazônia.
Os botos são capturados com arpões e abatidos com golpes na cabeça. A carcaça é colocada em gaiolas de madeira, para atrair os bagres.
Embora não seja muito apreciado no Brasil, a piracatinga tem boa aceitação na Colômbia, para onde é enviado para venda, sem fiscalização, através do porto de Tabatinga, que fica a 1.108 km de Manaus. O peixe chega à Bogotá, capital do país, onde é transformado em filés, antes de ser vendido no mercado doméstico ou exportado para o Japão.
Fonte: http://www.oeco.com.br/fauna-e-flora/26282-pesca-do-piracatinga-agrava-matanca-de-botos-cor-de-rosa
OPINIÃO: A palavra que ecoa no
início da leitura dessa reportagem é “consumidor”. Longe da preocupação com os
interesses e a liberdade da natureza, dos animais, os indivíduos continuam a usufruir
o meio natural como querem, de forma irracional, impensada, de forma desleal e
desumana, apenas com o intuito de atender ao desejo dos consumidores. A matança
do boto cor-de-rosa, animal que está presente na literatura do nosso país,
agora também esta presente no rol das vítimas da ambição do homem. Ambição esta,
que se sobrepõe à toda forma de vida, e que, de forma contínua e rápida, vem
destruindo e eliminando a biodiversidade do nosso país (uma das mais ricas do
mundo).
Há que se aperceber que, ou
mudanças acontecem ou, quando o ser humano perceber dos limites do seu “poder”,
de seus interesses de obtenção de lucro e de consumo, quando perceber ainda que
a sua vida no Planeta está condicionada à vida de toda a natureza, e que o
mesmo não é dono da fauna e da flora, já não terá o que proteger diante da
liquidação da natureza, restará somente a sua própria exterminação.
Daísa Rizzotto Rossetto
Bolsista PIBIC/CNPq
