segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pesca do Piracatinga agrava matança de botos cor-de-rosa



Manaus, AM – Para driblar a rejeição do consumidor, a piracatinga (Callophysus macropterus) – peixe capturado usando botos mortos como isca – ganhou novos nomes no mercado da capital amazonense. A piracatinga é um peixe pouco nobre, também conhecido como urubu d'água por comer animais mortos. Agora, ela pode ser encontrada com os nomes de “douradinha” ou “piratinga” em feiras e supermercados da cidade, segundo informações da Associação Amigos do Peixe-boi-da-amazônia (Ampa).

Segundo a associação, o aumento da captura da piracatinga está associada aos casos cada vez mais comuns de matança de botos na região. A gordura do boto é um excelente atrativo para este peixe.

O monitoramento dos botos na região da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Mamirauá, realizado há 17 anos pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), indica que o número de botos cor-de-rosa, conhecidos também como botos-vermelhos (Inia geoffrensis) está diminuindo 10% por ano em diversas regiões da Amazônia.

Os botos são capturados com arpões e abatidos com golpes na cabeça. A carcaça é colocada em gaiolas de madeira, para atrair os bagres.

Embora não seja muito apreciado no Brasil, a piracatinga tem boa aceitação na Colômbia, para onde é enviado para venda, sem fiscalização, através do porto de Tabatinga, que fica a 1.108 km de Manaus. O peixe chega à Bogotá, capital do país, onde é transformado em filés, antes de ser vendido no mercado doméstico ou exportado para o Japão.



OPINIÃO: A palavra que ecoa no início da leitura dessa reportagem é “consumidor”. Longe da preocupação com os interesses e a liberdade da natureza, dos animais, os indivíduos continuam a usufruir o meio natural como querem, de forma irracional, impensada, de forma desleal e desumana, apenas com o intuito de atender ao desejo dos consumidores. A matança do boto cor-de-rosa, animal que está presente na literatura do nosso país, agora também esta presente no rol das vítimas da ambição do homem. Ambição esta, que se sobrepõe à toda forma de vida, e que, de forma contínua e rápida, vem destruindo e eliminando a biodiversidade do nosso país (uma das mais ricas do mundo).
Há que se aperceber que, ou mudanças acontecem ou, quando o ser humano perceber dos limites do seu “poder”, de seus interesses de obtenção de lucro e de consumo, quando perceber ainda que a sua vida no Planeta está condicionada à vida de toda a natureza, e que o mesmo não é dono da fauna e da flora, já não terá o que proteger diante da liquidação da natureza, restará somente a sua própria exterminação.

Daísa Rizzotto Rossetto
Bolsista PIBIC/CNPq

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