Desenvolvimentos recentes na Holanda confirmam esta tendência. O principal centro de pesquisa holandês, o TNO, anunciou que parará imediatamente com testes em todas as espécies de primatas (os testes em primatas mais próximos ao ser humano já foram banidos em 2003).
Atualmente, cerca de 1600 primatas são usados na Holanda em experiências para desenvolver novos medicamentos para tratar doenças crônicas e infecciosas. A maioria dos primatas usados para testes é importada da China.
Recentemente, uma iniciativa civil para banir os experimentos com gatos e cachorros recebeu apoio suficiente para ser apresentada no parlamento holandês. Acabou sendo rejeitada, mas apenas por motivos processuais.
A parlamentar do Partido pelos Animais, Esther Ouwehand, ficou satisfeita com a iniciativa e está convencida que a proibição acabará por vir. “Pense bem no que fazemos com gatos e cachorros. Queremos uma proibição específica para isso, assim como a que conseguimos para os primatas.”
Pressão popular
O setor de pesquisa e desenvolvimento é, há muito tempo, muito importante na Holanda, e os testes em animais sempre existiram. Em 2009, o ano mais recente do qual se tem dados disponíveis, cerca de 600 mil animais foram usados para experimentos. Mas isso é menos da metade de 30 anos atrás.
A pressão popular aumentou nos últimos anos. O Partido pelos Animais – primeiro partido político no mundo expressamente fundado para representar os direitos dos animais – tornou-se um fator estável e efetivo na política holandesa. ONGs também têm muito apoio popular no país e se provaram lobistas eficientes, tanto junto ao governo como ao setor privado.
Defensores dos direitos animais também são ativos na Holanda. Já houve várias ações nas quais laboratórios de pesquisa foram ocupados para libertação dos animais.
O governo ainda permite os testes com animais, mas os pesquisadores são obrigados a reduzir, aperfeiçoar ou substituí-los assim que possível.
OPINIÃO: O Direito dos animais, para grande parte da sociedade é ainda levada na brincadeira e mera preocupação de alguns que não tem nada para fazer. Todavia, a mobilização e sensibilidade a cerca da defesa dos animais é um movimentos que cresce gradativamente. Diante de pesquisas que já fiz, entendo que o efetivo direito dos animais é construção de uma nova ética, nova maneira de pensar que consagre a natureza, como um todo, como um ente que merece nossa atenção e cuidado. E movimentações como essa, mostram que não estou errada, e que, mesmo de forma lenta, o contexto referente aos animais tende a mudar. Atitudes como essa, na Holanda, devem servir de exemplo a todos os países para que práticas de utilização de animais em laboratórios sejam cessadas.
Daísa Rizzotto Rossetto
Bolsista BIC/CNPq

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