Visitei o site da Norte Energia (http://norteenergiasa.com.br/), para conhecer um pouco mais sobre a construção da usina Belo Monte, no rio Xingu, estado do Pará. Encontrei várias frases as quais merecem comentários, entre elas: “A UHE Belo Monte não terá impacto direto sobre terras indígenas, nem haverá remoção de qualquer de seus habitantes”. Em contrapartida, no mesmo site: “A construção de uma hidrelétrica, assim como toda a grande obra de infra-estrutura, provoca algum tipo de impacto ambiental.” Procurei, então, uma forma sutil para falar de desrespeito. Do desrespeito às culturas estranhas a cultura capitalista. Do desrespeito à vida humana, ao meio ambiente e a tudo que contrarie a forma lucro/prejuízo. Do desrespeito à inteligência dos estudiosos do Direito Ambiental, que percebem e analisam os discursos cheios de disfarces, que no mesmo local trazem contradições. Não soube ser sutil. Afinal de contas, como encontrar sutileza no deslocamento, seja ele direto ou indireto, do povo indígena e da população ribeirinha? Permitir que qualquer empreendimento seja tocado adiante sob a égide do desenvolvimento econômico é assinar a mazela, pois dependemos de um meio ambiente sustentável para viver. E a verdadeira sustentabilidade ambiental foge da sustentabilidade econômica. Nem tudo encaixa-se à visão capitalista.
Aos que colocam o equilíbrio ambiental acima do desenvolvimento econômico resta o rótulo de antidesenvolvimentista. Estes só servem de entrave ao progresso. Não atribuo essa classificação somente aos indígenas, mas a todos que dimensionam os impactos socioambientais de uma hidrelétrica no Norte do país. Portanto, é indispensável perceber que esta não é uma causa indígena ou ribeirinha, é minha e é sua!
Pesquisa: Allana Wilmsen
Bolsista BIC/UCS

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