Mais do que nunca, ao ligar a televisão, é possível deliciar-se com um show de horrores! O pior é constatar que os programas são o retrato da sociedade em que vivemos. Poderíamos citar inúmeros programas, mas hoje, especialmente, resolvi falar de três deles. Inicio com o que vem se estendendo durante 12 anos e tem largo alcance entre os brasileiros: O reality show global.
Primeiramente, penso que faça tanto sucesso porque nos dá a oportunidade de vislumbrar o comportamento banal, de participantes que vivem de modo que em nada se aproxima da realidade brasileira. Querendo ou não, comportamento humano é assunto que interessa para o público em geral e aos intelectuais. O que há de errado aqui, afinal? O maior problema deste “espetáculo”, para mim, está em exaltar o que não deve ser valorizado. Estética, vaidade, vulgaridade, machismo, preconceito! Aos que dizem que o BBB não tem objetivo, peço que prestem mais atenção: alienar, manipular e aculturar, eis o objetivo! Sobre esses três pilares se debruçam o maior lucro e o grande ibope global no mês de janeiro!
Há os que utilizam as redes sociais para criticar o programa, mas não se dão conta de que ele é a consequência da nossa sociedade, e não a causa. Não é preciso sair de casa para saber que o culto ao corpo, a busca desmedida pelo lucro e o enfraquecimento das relações sociais estão no ápice. Não basta criticar, é preciso mostrar o porquê estamos criticando isso. Afinal de contas, precisamos de pessoas que pensem sobre os problemas e não apenas reproduzam opiniões.
Por óbvio, este não é o único programa que merece ser, no mínimo, questionado. Brevemente, trago mais dois exemplos que estampam a desgraça humana nas grades de nossas esplendorosas emissoras: “Casos de família” e “Mulheres Ricas”. Aos que nunca assistiram, eu aconselho: jamais assistam! “Casos de família” é uma afronta a proteção do cidadão. O legislador que preocupou-se em resguardar a intimidade do indivíduo e também a integridade da família, assegurando a este o segredo de justiça, pode jogar a Constituição pelo barranco. Já “Mulheres Ricas” tem o objetivo de mostrar ao trabalhador como a vida dele nunca será, mas ao mesmo tempo, mostrar-lhe a promessa do capitalismo: riqueza e ostentação!
Se expondo pessoas e explorando a crise de identidade a mídia é capaz de “divertir” e “entreter” uma enorme massa de brasileiros, o que nos falta é consciência de que realmente é feito o ser humano. Mas do que é feito o ser humano?
Allana Ariel Wilmsen Dalla Santa
Bolsista BIC/UCS
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