sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Cerca de 400 mil crianças somalis correm alto risco de morrer de fome



Necessidade de ajuda é urgente, afirma secretário britânico; África vive pior crise em décadas

NAIRÓBI - Cerca de 400 mil crianças somalis podem vir a morrer de fome em breve se nenhuma medida urgente for tomada, advertiu nesta quarta-feira, 17, o secretário de Desenvolvimento Internacional da Grã-Bretanha, Andrew Mitchell.
O alerta de Mitchell foi feito na primeira visita de um ministro britânico em 18 anos a Mogadiscio, onde ele se reuniu com líderes do frágil governo local e com representantes de grupos humanitários internacionais.
No vizinho Quênia, Mitchell disse que a Grã-Bretanha doará ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) o equivalente a mais de US$ 41 milhões em ajuda adicional.
A expectativa é de que o dinheiro seja suficiente para alimentar quase 200 mil pessoas pelos próximos dois meses e para vacinar cerca de 800 mil crianças contra o sarampo.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 12 milhões de habitantes de países do Chifre da África necessitam de ajuda alimentar imediata. A região vem sendo castigada por aquele que é considerado o pior período de seca em 60 anos. As informações são da Associated Press.


OPINIÃO: A reportagem nos leva a refletir e perceber que nós vivemos em um mundo paralelo que parece irreal ante a realidade de pobreza extrema.
A realidade do mundo ocidental, em particular do Brasil, onde também se percebe uma clara e flagrante disparidade social, não se compara com o que ocorre no Continente Africano, onde o que se tem não é uma classe de despossuídos, mas um contingente de miseráveis.
Essa é a triste realidade que se percebe, a disparidade, a desigualdade e a desumanidade  das pessoas.
O choque que tal realidade imprime, ao vermos matérias como esta, nos traz patente o fosso entre o discurso e a ação, uma vez que o primeiro se mostra incapaz de realizar alguma mudança para amenizar esta situação. Nessa triste e chocante realidade em que 400 mil crianças dependem de comida para sobreviver, percebe-se o quão importante é a solidariedade, esta simples ação humana, que certamente irá se transformar em um princípio básico da sociedade contemporânea, equiparando-se com o princípio da dignidade da pessoa humana.
Simon Schama, historiador britânico, diz que a sobrevivência da humanidade está diretamente vinculada a sua capacidade de ser solidário com aqueles que precisam.
O que tem-se hoje é algo distante disto, nossa sociedade não abriu os olhos para esta realidade, os discursos mais importantes e relevantes para a grande massa são os calcados na economia, na viabilidade econômica das ações a serem tomadas. A morte de milhões de pessoas de forma desumana chocam, mas continuam a pertencer a um outro mundo, que por mais próximo que este encontre-se, nos infere à uma percepção distante e até surreal.


Larissa Wegner Cezar
Bolsista BIC/UCS.

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