Todo o dia nos deparamos com notícias sobre o terremoto seguido de tsunami que devastou o nordeste do Japão, hoje, por exemplo, dia 07 de abril de 2011, às 11h32min de Brasília, 23h32min locais, um novo terremoto de magnitude 7.1 na escala Richter, seguido de alerta de tsunami atingiu novamente o Japão. Fazem 27 dias da primeira devastação. Ainda não foram apurados os danos atuais, mas certamente o cenário não é de alento para aquele povo.
O Japão, é sabido, posiciona-se geologicamente em cima da confrontação das placas tectônicas Eurasiana, Filipina e Pacífica. Este triângulo em constante movimento torna o Japão um dos países que mais está exposto ao risco de terremotos.
Hoje, além do desabastecimento geral, da falta de água, de comida e das condições precárias dos desabrigados, o país luta contra o risco de um desastre nuclear de proporções inéditas na história do mundo.
Na revista Veja de 06 de abril, ano 44, nº 14, página 98, a colunista Betty Milan (http://veja.abril.com.br/060411/contencao-e-repressao-98.html) traça um quadro psicológico interessante a respeito da cultura japonesa. Ela frisa que
“a vida depende do ensinamento da contenção, que não é sinônimo de repressão. Quem se contém o faz porque quer fazê-lo, e não porque é obrigado pelos outros. Obedece a uma lei que não é exterior, mas que foi interiorizada.”
Numa passagem de olhos sobre as palavras da escritora, pouco vem à mente, mas vendo a foto acima é que o significado torna-se nítido.
A ilustração mostra os japoneses em longas filas à espera para utilizar o telefônico público, pois no país dos celulares, os serviços ainda não foram totalmente restabelecidos.
A imagem é de ordem e paciência, todos esperando ordeiramente a sua vez. Isso é reflexo da educação, mas também, e talvez principalmente, da cultura, do respeito ao direito do outro.
No Japão de cultura milenar, o direito individual não está acima do coletivo, há um respeito por tudo aquilo que é público.
Ainda temos muito que aprender e evoluir neste sentido. Não basta sermos uma potência econômica, temos que ser uma potencia em educação. Educação desde os bancos escolares fundamentais, passando pelo ensino médio e chegando a academia, pois como não cansa de repetir o Senador Cristóvão Buarque, “as pessoas acham até que quem fala em educação aqui é maluco de uma nota só, não é um patriota preocupado com o futuro do seu país e que percebe que um país sem educação é um país desarmado.”
Precisamos de uma educação de base preparatória, de um ensino médio que qualifique os adolescentes para a escolha universitária, precisamos de qualidade no ensino superior, precisamos mais de livros do que de televisão, precisamos de mais pesquisa em todas as áreas, um país não se faz só de técnicos, mas também de pessoas que saibam pensar. É isso. Temos que ensinar e aprender a pensar.
André Saldanha
Bolsista Grupo Metamorfose Jurídica/UCS
Abril/2011

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