quarta-feira, 20 de abril de 2011

Paradoxo - radiação que mata e cura.



Há aproximadamente um ano fiquei abatida e inconformada com a necessidade de tomar medicamentos de uso contínuo. Pois é, para que uma perfeccionista admita e aceite que uma “porção” do seu corpo não está funcionando como deveria é muito difícil. Não conseguia compreender. A inconformidade em saber que a tireóide não iria “ouvir” as minhas cobranças dizendo: – Deixe de ser preguiçosa, DEVES funcionar perfeitamente, trouxeram um sentimento de impotência.
Bem, superei e aceitei a condição de tomar todas as manhãs o “bendito” Eutirox. De lá para cá, devoro todas as informações que contenham a palavra “tireóide”.
Mas, qual a relação entre os temas – radiação e tireóide? Surpreendentemente a radiação que aflige o Japão hoje pode ser o tratamento para os males da tireóide.
Folheando o jornal ZH neste sábado chuvoso deparei-me com a matéria sobre a utilização da radiação para diagnóstico e cura de doenças. Fiquei comovida com o relato, que reproduzirei a seguir, da professora da UFRGS dizendo que o “iodo radioativo” tem “gosto de esperança”.
“Em 2009, a psicóloga e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Carla Vasques, 42 anos, descobriu num exame de rotina que seu TSH (hormônio estimulante da tireóide) estava um pouco elevado. A endocrinologista solicitou uma ecografia da glândula, e o exame detectou um nódulo de 0,5   centímetros. O próximo passo foi uma  biópsia, que acabou apontando um carcinoma. Carla era portadora de um câncer.

— Apesar do susto — a palavra câncer é impactante —, a cirurgia (para remoção da tireoide, a tireoidectomia) foi supertranquila. É importante cercar-se de bons médicos. Além disso, cercar-se de pessoas que nos amam é fundamental — diz a psicóloga, lembrando que, durante um mês, a recomendação foi não usar hormônios e cortar todo o sal e alimentos iodados, tudo em função da iodoterapia que estava por vir.

Carla desconhecia essa área da Medicina. Conta que teve medo.

— Seria uma mulher radioativa? Ficaria verde? Pensei muitas bobagens. Chorei. No dia de tomar o iodo, a médica levou-o em uma caixinha toda blindada, altamente contaminante. Para uma pessoa saudável, a radioatividade é um veneno. Para mim, foi a cura. Um vidro bem pequeno. Um líquido incolor, sem cheiro. Bebi com toda a minha força e fé. E, afirmo, o gosto é de esperança — lembra.

Desde então, Carla faz exames regularmente e usa medicação todos os dias. Ela tem uma vida normal, e está curada.”
Fonte:http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Segundo%20Caderno&newsID=a3274694.xml

Este é o paradoxo. Enquanto no Japão a ânsia é pelo controle desesperado dos níveis de radiação, por aqui, a mídia impressa aborda através de entrevistas com especialistas a manutenção da saúde das pessoas através desta mesma radiação, contudo, em níveis menores, é claro. A radioatividade nem sempre é nociva o risco está na medida do seu uso.

Profa. Ms. Margarete Fátima Lucca
Pesquisadora Voluntária

Nenhum comentário:

Postar um comentário